A música parece ter um potencial de relevo
na criação de um relacionamento significativo entre as pessoas. A necessidade
de comunicar, de nos sentirmos seguros, a necessidade de proximidade e de
vinculação são constantes ao longo das nossas vidas.
Por vezes, problemas de saúde, episódios
traumáticos, aspetos como a idade, a dificuldade em comunicar, em conseguirmos expressar as nossas necessidades, desejos, receios, ansiedades não nos permitem
ter a autoria do que se passa na nossa vida, controlar aspetos do nosso dia a
dia, estabelecer relações de confiança, de afetividade. A escassez de
interações positivas, do contacto com o outro, as perdas sucessivas que vamos
sofrendo ao longo da vida, a ausência de atividades bem sucedidas, o decréscimo
da auto-estima, a impossibilidade de comunicar verbalmente vão, aos poucos, contribuindo para um isolamento, um desligamento do mundo e do outro.
Estas dificuldades e as suas consequências
diárias criam em nós uma perda de interesse em ser, em existir. A nossa
essência fica presa dentro do nosso corpo e nós não sabemos como sair. Sem
querer, ninguém nos deixa. De certa forma, existem por nós.
A musicoterapia cria pontos de contacto
entre as pessoas. Este contacto revela-se muito íntimo e significativo. Confere ao cliente conforto, segurança, sentimentos e emoções positivas. Atividades
musicais em contexto terapêutico quebram a barreira do isolamento, constituem
um meio de expressão da sua própria identidade.
Assim, é importante que, ao longo da
intervenção musicoterapêutica, o terapeuta e o cliente construam uma relação
estruturada, de confiança, confidência e que seja mobilizadora de afetos.
Para
isso, o terapeuta deve proporcionar ao cliente uma atmosfera de segurança e
privacidade.
É essencial que o terapeuta seja recetivo
ao diálogo e à proximidade afetiva, que aceite de forma positiva a pessoa que é
o cliente e que tenha atitudes de não julgamento para com o mesmo. O terapeuta
deve também apoiar o cliente quer no plano musical, quer no plano verbal,
promover o seu desenvolvimento pessoal, trabalhar musicalmente a relação
afetiva e conduzir os processos não musicais para a vivência musical.
Uma sessão de musicoterapia é um
local/momento onde o cliente pode ser/existir sem exigências nem restrições.
