domingo, 12 de abril de 2015

Musicoterapia - O Resgate da Essência

A música parece ter um potencial de relevo na criação de um relacionamento significativo entre as pessoas. A necessidade de comunicar, de nos sentirmos seguros, a necessidade de proximidade e de vinculação são constantes ao longo das nossas vidas.

Por vezes, problemas de saúde, episódios traumáticos, aspetos como a idade, a dificuldade em comunicar, em conseguirmos expressar as nossas necessidades, desejos, receios, ansiedades não nos permitem ter a autoria do que se passa na nossa vida, controlar aspetos do nosso dia a dia, estabelecer relações de confiança, de afetividade. A escassez de interações positivas, do contacto com o outro, as perdas sucessivas que vamos sofrendo ao longo da vida, a ausência de atividades bem sucedidas, o decréscimo da auto-estima, a impossibilidade de comunicar verbalmente vão, aos poucos, contribuindo para um isolamento, um desligamento do mundo e do outro.

Estas dificuldades e as suas consequências diárias criam em nós uma perda de interesse em ser, em existir. A nossa essência fica presa dentro do nosso corpo e nós não sabemos como sair. Sem querer, ninguém nos deixa. De certa forma, existem por nós.

A musicoterapia cria pontos de contacto entre as pessoas. Este contacto revela-se muito íntimo e significativo. Confere ao cliente conforto, segurança, sentimentos e emoções positivas. Atividades musicais em contexto terapêutico quebram a barreira do isolamento, constituem um meio de expressão da sua própria identidade.

Assim, é importante que, ao longo da intervenção musicoterapêutica, o terapeuta e o cliente construam uma relação estruturada, de confiança, confidência e que seja mobilizadora de afetos. 
Para isso, o terapeuta deve proporcionar ao cliente uma atmosfera de segurança e privacidade.

É essencial que o terapeuta seja recetivo ao diálogo e à proximidade afetiva, que aceite de forma positiva a pessoa que é o cliente e que tenha atitudes de não julgamento para com o mesmo. O terapeuta deve também apoiar o cliente quer no plano musical, quer no plano verbal, promover o  seu desenvolvimento pessoal, trabalhar musicalmente a relação afetiva e conduzir os processos não musicais para a vivência musical.


Uma sessão de musicoterapia é um local/momento onde o cliente pode ser/existir sem exigências nem restrições.